Janeiro 18, 2009 | In: Preparativos

Percursos

Tenho estado a elaborar permenorizadamente os percursos a efectuar nesta viagem.

Alguns desses percursos já podem ser visualizados aqui

A dificuldade toda reside nos percursos após a fronteira da Hungria com o leste da Croácia.
Existem ainda estradas que passam por campos minados na Croácia (devido á recente guerra das Balcãs que originou o desmembramento da Jugoslávia em Repúblicas independentes), falta de mapas detalhados da Sérvia e pormenores relacionados com o modus vivendi dos ciganos romenos e a incógnita da Bulgária.

Para iní­cio desta aventura, já contei com a ajuda preciosa de 2 companhias aéreas:
AIR BERLIN que simpáticamente vai transportar a minha bicicleta e o meu atrelado, sem custos adiccionais, entre Lisboa e Salzburgo com uma escala em Palma de Mallorca (Espanha).

A EASYJET, também acordou em fornecer as respectivas caixas e transportas a bicileta e o atrelado, no percurso Sófia-Madrid-Lisboa

A estas empresas ficam os meus agradecimentos.

Dezembro 8, 2008 | In: Equipamento

Equipamento

O equipamento escolhido para esta viagem, e para outras que entretanto realizei, ou virei a realizar, é uma MTB (Mountain bike) e um atrelado especialmente desenvolvido para percursos em trilhos.

A bicicleta
A MTB escolhida é a Montague Paratrooper, uma bicicleta desenvolvida pela Montague em colaboração com o Departamento de Defesa dos EUA e que teve por finalidade equipar os Marines com um meio de transporte sustentável, em terra, e que pudesse ser lançado juntamente com o seu utilizador de para-quedas. Assim surgiu a Paratrooper, uma bicicleta drobrável e que, após liberada pelo US DEFENSE Dptº foi colocada à disposição do grande público. Ainda não comercializada em Portugal, esta Mantague Paratrooper veio directamente dos EUA, via Inglaterra, e já deu provas na recente viagem que efectuei de Lisboa-Sagres-Lagos.

Atrelado Extrawheel
O extrawheel voyager é um atrelado simples e ultra-leve, especialmente concebido para viagens em trilhos e é fruto de pesquisas e experiências de terreno de dois irmãos polacos, também eles adeptos do ciclo-turismo de longas distâncias.
Fabricado na Polónia, o extrawheel voyager é composto essencialmente por uma roda “extra” do tamanho da roda da bicicleta, um sistema de encaixe do atrelado à  roda traseira da bicicleta e 2 alforges, à  prova de água, com a capacidade de 30L cada.
Quando acoplado à  bicicleta, a presençaa do atrelado não afecta a condução, tendo mesmo muitas vezes que olhar para a retaguarda para confirmar que o atrelado “está lá”.

Equipamento de Campismo
O equipamento de campismo é composto por:
- Tenda com “garagem” da Coleman
- Saco cama ultra-leve
- Colchão auto-insuflável
- Equipamento de cozinha da Camping-gaz
- Uma máquina de café expresso

Equipamento electrónico
Um GPS para seguir os trilhos/percursos ao londo do Danúbio complementado por um iPOD que ficará responsável para me fazer companhia durante os dias a pedalar.
Outro equipamento será adiccionado brevemente.

Dezembro 4, 2008 | In: Geral

Projecto “Viadonau”

 

Pode-se dizer que o ciclo-turismo de longa distância, ou até o ciclo-turismo de fim de semana, não são uma das actividades típicas do povo português.
Depois de ter chegado a Portugal, vindo de Angola, onde passei a minha infância, e já com uma longa actividade no que respeita ao ciclismo, deparei-me um dia, na Livraria Bertrand no Porto, com uma revista alemã sobre ciclo-turismo. Embora não percebesse muito de alemão, dava para entender que relatavam viagens feitas pelos seus leitores e abordavam temas diversos como o equipamento, os percursos, etc…
Na altura não tinha bicicleta, onde morava não dava para ter, mas imaginava-me a fazer grandes viagens de bicicleta, uma delas ainda não feita na totalidade…..um périplo pelas 9 ilhas dos Açores.
Quando em 1982 fui para a ilha Terceira, como militar da FAP (Força Aérea Portuguesa) comprei na altura uma bicicleta de corrida em segunda mão, com a qual dava pequenas voltas.
Mais tarde, de regresso à  ilha Terceira, já casado, eu e a minha ex-esposa, davamos alguns passeios de bicileta, não muitos porque ela não era muito fã disso.
O “arranque” para este tipo de viagens aconteceu em 2008 quando organizei um passeio com os meus camaradas da tropa, de Lisboa à  Praia da Comporta. Já nessa altura tinha em mente fazer Porto-Lisboa de bicicleta, mas sempre a acampar, ou seja em autonomia total, sem estar dependente de nada, até mesmo de electricidade.
Numa das minhas navegações pela internet deparei-me com um site que reunia uma panóplia de percursos que várias pessoas por esse mundo fora efectuavam. Fiquei maravilhado e juntando o útil ao agradável, decidi fazer o percurso do rio Danúbio.
Em vez de acompanhar o rio Danúbio da sua nascente até À  foz, no Mar Negro, optei por acompanhar o percurso de um dos seus afluentes, o rio Salzach que banha a cidade de Salzburg

Outubro 26, 2008 | In: Porto - Lisboa

Considerações finais

Tendo sido a primeira viagem do género que fiz, considero que correu bastante bem.

É claro que viajar solitário acresce, ao factor fisico, o factor psicológico que tem de estar preparado para enfrentar as situações menos reconfortantes. A par do aspecto psicológico há também o aspecto da carga. Se se optar por viajar em autonomia, o solitário tem de transportar sózinho, tenda, fogão, saco came, etc, etc, etc…, quando acompanhado, a carga passa a poder ser divisível.

No que respeita a Parques de Campismo, estamos bem servidos, embora alguns que funcionem o ano todo, após o verão fecham certas funcionalidades (restaurantes, etc).

Os condutores, achei-os respeitadores para com o ciclista (eu) salvo um ou outro que passava e acelerava…

Em jeito de conclusão: gostei da experiência, não sei é se alforges é a melhor opção ou se deveria ter optado por um atrelado….

Depois de uma noite, a última desta viagem, o sol da manhã tardou em aparecer para que pudesse secar a minha tenda antes de a embalar. E digo secar porque devido ao ressoado o 2º tecto estava completamente encharcado, pudera a noite foi um tanto ou quanto fria.

Assim que o sol despontou, levantei ferros, banhoca matinal, a tradicional tarefa de desmontar e arrumar tudo, já com o tecto meio seco.

Eram 12H00 quando deixei o Parque de Campismo em direcção às Caldas da Raínha. Ainda parei numa área de serviço para o Brunch (breakfast + lunch) e depois Caldas, onde tive de passar na Rotunda da Raínha, como lhe chamam os locais e dirigir-me para o Cercal.

Desde que se sai das Caldas é sempre a subir. A subir é que é o caminho. Lá ao fundo, no horizonte ficava Óbidos, que não foi visitada desta vez por algumas razões a saber: já conheço como as palmas da minha mão, e se lá tivesse ido tinha que me empanturrar de Toupeirinhos, uma bebida local, muito ….. perigosa.

Continuando a subida, sim que era sempre a subir, cheguei a um ponto que vi uma bruta descida, lembram-se do meu ditado? Atrás duma subida bem uma descida, mas o inverso também se aplica, depois desta vertiginosa descida veio uma fi/% da “#$$ de uma subida que eu tive de desmontar e levar a bike à mão durante quase 1 km a subir.

Já no fim da súbida ainda tirei uma foto para a posteridade junto a aldeola que me “salvou a vida”. Continuando a pedalar pelos contra fortes da Serra de Montejunto, onde a FAP mantém a sua EDCI 11, parei uma colectividade onde mamei 2 Red Bull para me dar força para o resto da viagem.

Depois de Carreiros, foi quase a descer, quase….com uma

Este é o meu último jantar, a última noite, nestas férias entre o Porto e Lisboa, de bike.

Para comemorar, decidi confeccionar um Jantar Gourmet e simultaneamente compartilhá-lo com os meus amigos, tipo curso de culinária em vídeo.

Divirtam-se…..

JANTAR GOURMET parte 1

JANTAR GOURMET parte 2

Que noite ! Até os meus tintins enregelaram….Esteve um frio do ca%”#$#. A minha safa foi que tinha um fato de treino de feltro, enfiei-me nele e calcei umas meias grossas. Pus-me totalmente dentro do saco cama, e de manhã à hora que pretendia sair, pus um dedo fora do saco cama, qual sonda, a testar a temperatura do ar. Enregelante!

Mais uns minutos, levantei-me a correr e fui colocar-me debaixo do chuveiro de água quente….a escaldar…que coisa boa!

Quando já estava bem quente lá me decidi vestir-me e ir à minha tarefa de desmontagem da tenda e acondicionamento do equipamento nos alforges. A tenda (o 2º tecto) ainda veio molhado, assim como a capa da bike.

Passagem pelo restaurante dos Bungalows, um galão bem quente, e aí vai ele para a estrada em direcção à Nazaré. E quem vai à Nazaré e não visita o “Sítio” é a mesma coisa ue ir a Roma e não ver o Papa, já ía com ela fisgada paraa próxima paragem ser “o Sítio”.

Porém tive de me deter a meio caminho, depois de ter vislumbrado um espécimen arquitectónico tipo ArtDecoBimbo.

O dono desta casa deve ser senhor de um gosto muito “à la Picaso”.

Agora sim…direcção -> Sítio.

Quando vi a subida….cum Caneco! Olhei para o chão, concentrei-me na música que o meu iPod debitava e lá fui eu devagarinho, montanha acima, sem levantar a peida do selim.

Cheguei carago! cada vez me surpreendo mais comigo! dassss sou bom! heheheheheeheh

O sítio lá estava à minha espera. De lá telefonei aos meus camaradas Filipe e Vaz (o Marques como habitualmente quando está de folga não atende o telele). Tirei uns bonecos e cumpri uma máxima que tenho desenvolvido nos últimos dias: “Depois de uma árdua subida, há sempre uma vertiginosa descida”. É de minha autoria, se quizerem usar podem-na usar,

Hoje fui atraiçoado pelo relógio, quando era para sair às 8H00 da Figueira, só acordei às 9H00 e depois de arrumar tudo eram cerca das 10H15 quando sai da Figueira pela ponte que a liga à margem sul do rio Mondego, pela minha já conhecida estrada N109.

Logo à saída da ponte, e como prefiro estradas secundárias, optei pela N237 que me levou a Lavos, Marinha das Ondas e Matos do Carriço onde me embrenhei no famoso Pinhal de Leiria, mandado construir pelo Rei D. Dinis para a epopeia marítima (ainda não haviam eleições naquela época).

A minha ideia era fazer a costa desde a Praia de Pedrógão até à Nazaré, passando pela Praia de Vieira, S. Pedro de Moel, Paredes de Vitória, etc.

Era a minha ideia, mas depois de me ter embrenhado no antiquissimo Pinhal, e com ele as estradas antiquíssimas (penso que as estradas e respectivas coberturas datam do início da plantação do Pinhal).

Foi delirante 2H30 “perdido” em pleno pinhal, estrada só acessível, a viaturas TT ou em BTT mas sem a bike carregada, sem tabuletas indicadoras nos cruzamentos……e eu sem o meu GPS, que tombou logo aos primeiros solavancos. Bem tentei navegar com o Google Maps Mobile, mas é giro, mas…..

O mapa que tinha era mais orientado para o aspecto de lazer….se tivesse uma carta topográfica, tinha-me safado. Mas á me safei…acabei por ir dar a uma povoação chamada Vieira e jurei nunca mais me embrenhar com a bike atestada de peso em Matas Nacionais, os caminhos são impossíveis.

Como já estava atrasado tive que dar corda ao pedal, e mesmo em Vieira meter no bucho 2 RedBull, assim fiquei com asas suficientes para chegar à Marinha Grande, terra de Vidreiros, desculpem ex.vidreiros, agora a Marinha Grande é a terra dos Moldes (lembram-se daquele empresário que aparece em tudo

Outubro 22, 2008 | In: Porto - Lisboa

Figueira da Foz

Depois de uma noite de violenta tempestade, parecia um ciclone, o dia amanheceu cheio de sol, e declarei-o o “Dia do Mandrião”.

Alvorada pelo meio-dia com banho de água fria, para enrigecer os ossos, e uma ida até ao Foz Plaza para um café e actualização mais pormenorizada do blog. Já notaram que acrescentei os percursos?

Pelas 14H00, estava eu de volta a tenda e ouvia um patinar lá fora. Fui ver e era a bike a pedir acção. Bute nela.

Fomos dar uma volta pela cidade com este sol esplendoroso, mas ainda com muto vento, e quando o vento sopra de frente é uma treta.

Decepcionado fiquei com o célebre Casino da Figueira. Estão a ver o Casino Lisboa? Mais pequeno e no meio da cidade numa zona muito “atafulhada”….enfim, mas já tem história dos anos 30 em que a Figueira era destino das elites, depois apareceu o Menino Guerreiro (leia-se Pedro Santana Lopes) para a colocar de volta aos escaparates da socialite.

Globalmente é uma cidade muito aprazível. Não sei se os habitantes de cá têm a mesma opinião, mas para os visitantes é simpática.

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