Hoje fui até Varna, uma vez que estou num hostel na estância turistica de S. Constantin.

Varna é considerada a capital do Mar Negro (eventualmente a capital búlgara). É uma cidade simples, muito parecida com algumas das cidades algarvias, pejada de turistas.

O problema comum a quase todas as cidades que eventualmente têm apetência para atrair turistas é que ainda não entenderam que para um turista não búlgaro, é imensamente difícil entender o que escrevem, e difícil porquê? Porque para além de termos de decorar um abecedário completamente diferente do abecedário ocidental, temos depois de o saber traduzir nas palavras, escritas ou faladas, ou seja um trabalho duplo a que poucos turistas se rendem para passar meia dúzia de dias na praia. E para terem uma idéia da dificultade que nós ocidentais enfrentamos, vejam este letreiro:

Voltando a Varna, está rodeada de belas praias de areia branca, ou melhor dourada. Tem uma zona pedestre muito concorrida, cheia de restaurantes e negócios variados, e avenidas largas, como todas as cidades do ex-bloco de leste.

A sua catedral, o que é também comum a quase todas as igrejas ortodoxas, é um misto de local de culto e de comércio. Passo a explicar: quando se entra numa igreja ortodoxa geralmente entramos para um átrio, mais ou menos grande dependendo do tamanho da igreja, aí funciona tipo uma loja clerical onde se vende ícones, santos, santinhos, velas, recordações e afins. Entra-se depois propriamente dito no espaço de culto, invariávelmente a um dos cantos existe uma mesa com um senhor/a de idade que cobra uma quantia para se poder tirar fotos e videos (5 lv para fotos e 10 lv para videos).

Quando fui visitar a Catedral de Varna estava a decorrer o culto, e fiquei para assistir. Além de não perceber absolutamente nada do que se dizia/cantava o

Estou na zona turistica por excelência da Bulgária, Golden Sands, é tipo de Vilamoura bulgara. Hoje de manhã fui a banhos no mar negro. Água quentinha e as praias cheias de bulgaros e turistas estrangeiros.

A noite de ontem foi de festa aqui no Hostel. Pizza Party, cada um amassou, confeccionou e cozeu a sua pizza e depois jogatana e divertimento até as 4H00 da matina. Alguns/algumas abandonaram “o barco” já com o grão na asa.

Hoje vou mostrar a esta gente como se come em Portugal. Vou cozinhar uma bruta Feijoada, que vai ser acompanhada com PIVO, ou em bulgaro: birra.

Escusado será dizer que a feijoada foi um sucesso. Comeram e até lamberam os beiços. Pena que aqui não haja a maior parte dos ingredientes, especialmente as carnes. Podem não acreditar, mas mesmo nos grandes supermercado é dificil ver carne sem ser congelada!

15H25 (hora local) …..cheguei a Varna.

A saída de Veliko Tarnovo foi pelas 11H15 da manhã em autocarro da ETAP que faz a carreira Sófia – Veliko Tarnovo – Shumem – Varna. Ao todo são 6 horas de viagem.

A maior parte do percurso entre V.Tarnovo e Varna é feito em via rápida/autoestrada não paga, talvez por isso as vezes o autocarro tivesse de andar na faixa de emergência pois as faixas estavam com o piso lastimoso.

A paisagem é um misto de planicies e montanhas. Shumem é uma cidade com traços comuns a tantas outras desta zona das balcãs: avenidas rectas e imensamente largas, prédios com uma arquitectura do tipo bairro social em Portugal. Embora a maioria deles estejam a precisar de manutenção, a limpeza das ruas e dos passeios é uma realidade.

Não se pode exigir standards ocidentais quando a cultura e os hábitos são diferentes, ainda assim a população parece ser educada e sempre pronta a tentar compreender o que queremos, quando nos vimos confrontados com uma imensidão de informação em cirilico, Por exemplo: Varna = Bapha e Sófia não consigo escrever porque não tenho os caracteres no teclado nem neste pc, mas acreditem, parece-se a tudo menos a Sófia…..agora imaginem tipo as coisas que temos de pedir no dia-a-dia.

Quando chegar a Portugal vou fazer um balanço, País por País, de coisas boas, porque o que pode ser má para nós poderá ser a normalidade para os habitantes desses Países. Todos têm em comum uma coisa: simplicidade e afabilidade, e reparem que eu não me restingo a analisar as pessoas pelos sitios turisticos, pois passei por sitios que eventualmente raramente viram algum turista, muito menos de bicicleta.

Num balanço rápido, agora que estou nas margens do Mar Negro, foi óptimo, exaustivo, surpreendentemente arrepiante (os túneis), mas nunca esmoreci…o que também me

Hoje o destino foi Veliko Tarnovo, não só a cidade mais antiga da Bulgária como também a sua antiga capital.

Se Sófia parecia a zona J de Chelas (Lisboa), Veliko Tarnovo parace uma cidade ociental, a maioria dfos disticos estão em cirilico e em inglês, o que facilita a vida ao turista. Talvez por isso Veliko Tarnovo esteja cheia de turistas.

Na viagem de Sófia para V.Tarnovo deu para pensar o porquê da Bulgária fazer parte da União Europeia….Sim, porquê? O abecedário deles é diferente dos países ocidentais, a Bulgária está mais “perto” do cir culo de países de leste do que ocidentais, não produz absolutamente nada, a nao ser mão de obra barata…

Porém ao olhar com atenção para os negócios que polulam pela cidade como ao seu movimento, nota-se que as grandes potências ocidentais estão aqui em peso: bancos alemães, franceses, cadeias de distribuíção alimentar alemãs, ingleses, muito stands de automóveis usados com carros que decerto em Portugal não passavam na inspecção….

Quem se iria delirar na Bulgária era a ASAE, com tantas “normas da UE” que não são aqui implementadas, os homens da ASAE chegavam aqui e fechavam o país, o que não falta muito, a avaliar pela quantidade de instalações fabris totalmente em decadência, algumas já sem janelas e portas….nada de produz, tudo se importa. Assim sendo só há uma razão para a Bulgária fazer parte da UE: ser um mercado de escoamento de produtos excedentários dos países fortes da UE (leia-se Alemanha, Inglaterra e França).

Cheguei a Sófia vindo de Vidin, pelo caminho passei pelo país profundo.

Não sei como descrever o país profundo (a Bulgária) e a sua capital Sófia, sem ser indelicado…..

Lembram-se do que eu disse de Budapeste? Sófia é uma imensa Zona J de Chelas, nãopelo crime, que parece que aqui não existe, mas pela probreza e degradação das habitações….

Estou num Hostel que no início do séc XVIII era uma estalagem, propriedade de gregos, que albergava os viajantes entre a Grécia e a Bulgária, depois encerrada devido ao fecho das fronteiras a viajantes decidido pelo regime comunista em 1944, decisão que durou quase 50 anos.

Quando cheguei, e depois de um bom banho, estava eu na sala comum quando um tipo que interpela e me pergunta “És português? Pela t-shirt do CR7 deves ser” E era um português, ali perdido na Bulgária que dava aulas de português a filhos de imigrantes em Paris. Foi uma festança….há tanto tempo que já não via um português, quase 1 mês, aliás hoje fez exactamente 1 mês que saí de Portugal.

Jantámos no Hostel e depois fomos beber umas “birras” (cervejas) e acabamos a noite a comer umas pizas naqueles kioskes abertos 24H. Amanhã ele vai para a FYR Macedónia continuar a sua viagem de mochila às costas, e eu para Veliko Tarnovo, antiga capital da Bulgária.

Fiquei a saber também que domingo é dia de eleições aqui na Bulgária.

Estou hoje em Vidin, a ver se arranjo uma solução para a forqueta do meu atrelado que tem os “rolamentos” (chamemos-lhes assim) a saltar.

O problema também é que a forqueta é feita de tipo ferro forjado e se partir…lá se vai. Já contactei a Extrawheel e disseram-me que era normal, mas que deveria reajustar os parafusos que funcionam como o batente da “mola”.

Decidi no entanto reavaliar e alterar a minha rota. Não me posso dar “ao luxo” de ter um precalço num país onde raramente alguém fala inglês e onde tudo está escrito em cirilico. Assim, e quando já so faltavam 2 percursos completamente planos para chegar a Russe e daí ir para Varna, decidi apanhar o autocarro para Sófia, deixar o atrelado no Hostel onde depois irei ficar e partir para Varna para uns 3-4 dias de praia, se o tempo ajudar e depois voltar a Sófia para embalar tudo.

De qualquer forma, o pessoal da recepção do Hotel tem sido fantástico, hoje foram comigo à estação de autocarros comprar-me o bilhete para Sófia. É nestas situações que defendo que toda a criança deveria aprender ingles (como lingua internacional) desde a primária. Além de ser bom para o seu desenvolvimento é também para o País. Ontem para jantar a empragada de um restaurante +- chique teve de pedir ajuda a uma criança que falou comigo em inglês e finalmente consegui escolher umas costoletas mais tenras que alguma vez comi.

Hoje andei pela cidade de Varna, uma verdadeira cidade ao estilo estalinista decadente. Embora alguns edificios precisem de manutenção, a cidade está completamente limpa.

Há aspectos da cultura bulgara que me surpreendem….pela cidade vê-se noticias de óbitos, tipo o nosso “obituário dos jornais” impressas em folhas A4, metidas em micas e pregadas nos troncos das árvores. Todas as árvores estão assim “decoradas”.

Destaques deste dia:

- O excelente almoço por 4,5 euros: uma tijela enorme de sopa magnífica, 2 canenolis servios, meio litro de cerveja e meio pão sérvio.

- Imaginem quais foram as primeiras palavras dos guardas fronteiriços bulgaros? Portugal? Cristiano Ronaldo, bla, bla, bla…..

- Estou num Hotel magnífico, de luxo. 9º andar com uma magnifica vista sobre o danúbio e parte da cidade. Quarto: 23 euros…..como a vida é bela.

Problemas:

- Material: a forqueta do meu atrelado está com problemas o que causa uma instalilidade constante, perigoso para rodar na estrada. Manter o equilibrio é dificil.

- Fisicos: O meu braço direito “deu de si”. Não sei se foi da força que faço para manter o equilibrio, o meu cotovelo não me deixa esticar o braço. Tenho de levar uma marretada.

De resto ânimo em alta, tempo a escassear. Principal procupação agora: Como embalar a bike e o atrelado.

PERCURSO DESTE DIA

Depois de uma noite bem dormida, e do pequeno almoço sérvio, como o dono da “kafana” fazia questão de lembrar foi altura de dar corda aos pedais e enfrentar a parte mais difícil desta jornada, não só a mais difícil como a mais cénica. O percurso para hoje consistia em pedalar so longo do danúbio pelo Parque Nacional de Djerdap, na Sérvia, tendo na margem contrária a Roménia.

O percurso pelo lado romeno é bastante plano, ficando a 2-3 metroa acima do nível das águas do rio e atravessando muitas vilas e algumas cidades. Aqui o rio danúbio divide os carpatos, do lado da roménia dos balcãs, do lado sérvio.

Ao longo do percurso deu para perceber que no dia anterior tinha chovido com abundância, tal eram os deslises de terra que tive de atravessar, antes e depois de Donji Milanovac.

É a partir daqui que começa a famosa estrada dos 21 túneis, sempre a subir até ao ponto mais alto com cerca de 500 metros.

Alguns dos túneis são relativamente pequenos e fáceis de atravessar de bicicleta.

Sobrevivi aos 21 tuneis do Djerdap, Alguns deles, com 300-400 metros, em curva, completamente escuros…….foi a parte mais difícil desde que sai de Salzburgo.

Condudores loucos, tuneis sem iluminação nem bermas…..a táctica era: parar antes, ver se vinha algum carro no nosso sentido, acendar as luzes, rezar e pedalar como se um um leão viesse atraz de nós……

Ao mesmo tempo que ía subindo, ía vislumbrando a estrada do lado romeno, fazendo inveja pela sua planitude, e alguns monumentos, romenos, mas só vistos do lado sérvio.

Pelo caminho encontrei um hungaro que fazia o mesmo percurso que eu e já depois do 19º túnel, um casal alemão que fazia o percurso inverso.

Depois de uma manhã extenuante, foi bom ver a barragem Portas de Ferro I, uma enorme hidroeléctrica com

Foi a etapa mais longa que já fiz, 141km por estradas regionais, atravessei de ferry de Stara Palanka para Ram, e fiz 13km de verdadeira picada num precipicio junto ao rio….aterrador. Mas o dia começou cedo, em Belgrado. Eram 7H00 da manhã quando saí do Hotel, o tempo estava enublado.

Atravessar a ponte de Belgrado para Pancevo, foi uma experiência inédita, com o tráfego de hora de ponta de uma segunda-feira. Mesmo assim, os automobilistas foram condescendentes, houve um camionista que fez uma festa (será por ter visto um ciclista, por ver a bandeira de Portugal ou por a relaccionar com Figo/C.Ronaldo)??

No percurso para Ram, optei por sair da rota ciclistica conhecida por Eurovelo 6, aliás já o tinha feito várias vezes anteriormente. Passei por aldeolas tipicamente sérvias, e eram cerca das 10H30 quando parei num restaurante à borda da estrada e comi uma estupenda sopa de peixe, claro que acompanhada com cerveja.

Uma nota aparte: tanto na hungria como na sérvia vê-se muitos “memoriais” assinalando mortes causadas por acidentes. Alguns desses locais são verdadeiros mausoléus, com lápides tumulares, as fotos dos falecidos. Em algumas desses mausoleus podiam ver-se fotos de vários elementos da mesma familia (homem, mulher e filhos) e tudo porque é aterrador a maneira como conduzem. Fora das povoações o limite de velocidade está directamente proporcionado com a potência do carro, quanto mais o carro der, melhor.

Vi uma situação caricata, numa descida, e beneficiando já da inclinação da estrada, os condutores aceleravam como se estivessem a subir, os motores roncavam por tudo quanto era lado…..enfim, maneiras de conduzir!

Quando cheguei a Stara Palanka, na margem esquerda do Danúbio, encontrei um casal de Holandeses que tinha estado na iniciativa Danube by bike e que íam pedalando, sem limite de tempo, por esse rio abaixo. Junto deles estava um casal jovem

Terminou hoje a iniciatva Danube by Bike organizada pela União Europeia.

A maior parte dos participantes regressa às cidades de ponto de partida- Budapeste (Hungria) e Bucareste (Roménia), outros fazem pequenos percursos para outras cidades/países próximos, como o caso de Sarajevo, Montenegro, etc.. Eu vou continuar amanhã a pedalar ate Varna/Sofia.

Foi a primeira vez que participei numa iniciativa deste genero, diga-se também que foi a primeira vez que foi organizada uma iniciativa assim, com participação de cidadãos de vários países. A língua comum a maioria era o inglês, falando mal ou bem lá nos íamos entendendo. Durante esta iniciativa criaram-se amizades, umas mais profundas, outras menos, em parte dependendo das personalidades das pessoas/grupos.

Eu travei uma especial amizade com um grupo de romenos/sérvios mas que tinham em comum serem minorias étnicas hungaras nos respectivos países. Fiquei a saber muita da história antiga dessas minorias e as mais recentes iniciativas para obterem a autonomia.

Por exemplo: a minoria hungara romena reside na região designada por Transilvania, uma região outrora pertença da Hungria e que foi dada à Roménia depois da I Guerra Mundial. Essa minoria fala o romeno no seu dia a dia mas em casa e entre amigos fala o hungaro, e isto passa-se de geração em geração. Geralmente não tem muita relação com a etnia romena.

O mesmo acontece na Servia, com a minoria hungara local.

O grupo espanhol e o francês era o mais fechado, falando sómente entre si. O inglês era aceitavelmente aberto, o romeno era bastante acessivel, havia ainda um grupo hungaro um pouco reservado, talvez devido à dificuldade de comunicação, mesmo assim fiz amizade com um casal. Era engracçado verem-nos a comunicar, cada um na sua língua e por gestos, à vezes tinhamos alguma tradução da parte dos romenos hungaros, a que chamava o Grupo dos Dráculas. Neste dia

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